quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Uma sala de aula. Cadeiras enfileiradas em ordem.
Alunos chegam primeiro, sentam e se acomodam.
Entre si eles conversam sobre assuntos variados,
Enquanto esperam pelo professor para o inicio da aula.

Cada um dos alunos tem seus gostos e preferências,
Que de certa forma já os predispõem para a próxima aula!
Muitos só querem saber se o professor é chato ou não...
Alguns já estão desejando que chegue logo o intervalo!

Chega o professor e toda a atenção se volta pra ele...
Alguns dos alunos olham como se veste, como anda, o seu cabelo...
Outros analisam-lhe o rosto para identificar um sinal de simpatia...
Sentimentos diferentes voltados para uma única pessoa: o professor!

Daí o professor se apresenta e, dependendo de como seja a apresentação,
Começam a surgir as definições e os adjetivos preconceituosos:

“Ah! Ele é muito autoritário gosta de impor suas idéias... É um babaca!”
(Nesse período temos uma professora assim... como em todos os cursos!)
“Ah! Ele é muito bonzinho mas parece ser meio pateta!”
“Ah! Que cara cansativo parece uma múmia falando!”
“Ah! Esse professor é muito viajado... Começa com um assunto, emenda em outro e no final acaba ninguém entendendo nada!”
“Ah! O cara é gente fina, alem de dominar o assunto também sabe passar!”

Enfim são muitas definições que surgem nessas horas
E muitas vezes não é bobagem afirmar que a primeira impressão é a que fica...
Mas eu cheguei a confessar também para alguns professores o seguinte:
“Puxa professor, o senhor passou uma imagem totalmente diferente na primeira aula,
E no inicio eu fiquei ate com um pé atrás (pra não falar os dois!)”

Eu ingressei no curso de Historia na UFPE
Com o sincero desejo de ser um ótimo professor amanha...
Mas a troca de papel de aluno pra professor me intriga
Como vou me sentir num lugar de um professor?

Como será que um professor se sente?
Tédio, nervosismo, stress, ansiedade?
Aquela apresentação inicial é previamente preparada?
Como será encarar dezenas de olhos voltados pra você?

Será que eu vou conseguir dormir na noite
Que antecipa o dia de minha primeira aula?
È claro que vou estar nervoso, mas será que vou conseguir disfarçar?
Qual metodologia devo usar para fazer uma aula empolgante?
Como não ser chato sem parecer pateta?
Quem serão os meus “doces” alunos?
Quais serão suas realidades e expectativas?

Estou estudando como o historiador produz o conhecimento...
Eu estou mais preocupado como vou repassá-lo!

Tem gente que acha história cansativa, um saco...
Eu quero ensinar aos meus alunos a ama-lá!
Tem gente que nao gosta de uma materia
Mas consegue aprender por causa de um bom professor...
E tudo que eu quero é aprender a me tornar esse professor!

sábado, 4 de setembro de 2010

Recife, 04 de setembro de 2010

“Só conhecemos o futuro através do passado nele projetado. (...) Porém o passado, por sua vez, é algo que nunca poderemos possuir. Porque quando percebemos, o que aconteceu, os fatos já estão inacessíveis para nós: não podemos revivê-los, recuperá-los, ou retornar no tempo como em um experimento de laboratório ou simulador de computador. Só podemos reapresenta-los.”
Assim que li esse trecho do livro Paisagens da História, de John Lewis Gaddis, é que puder compreender a dimensão de criar esse blog como uma projeção daquilo que hoje vivo como aluno do primeiro período de Historia da UFPE.
Certa vez um professor explicou pra minha turma que não gostava de usar a palavra aluno pois ela etimologicamente significa aquele que não tem luz. Mas é assim que eu me sinto ao criar esse blog, agora reconhecendo a dimensão que poderia estar dando a ele. Mas farei o que puder para que pelo menos possa ser compreensível aos meus leitores àquilo que quero exprimir.
Nas ultimas aulas conhecemos um pouco sobre o pós-modernismo e um pouco de sua quebra de paradigmas.
E em menos de um mês de aula começo eu a mudar também o modo de ver as coisas.
Uma vez que sempre acreditei na historia como uma expressão da verdade, ou pelo menos uma visão aproximada dela. Apesar de saber que a historia é algo que é sempre contado pelo lado vencedor, não tinha refletido que as deturpações pudessem de fato mudar a verdade.
Mas então começa agora a me incomodar a pergunta: O que é a verdade?
Algo que pode ser construído, moldado e alterado. Há uma frase que mais ou menos diz o seguinte “Uma mentira contada muitas vezes torna-se verdade” e eu me pergunto até que ponto?
E eu comecei a refletir e vi que a mentira pode se tornar uma verdade a partir do momento que o seu relato é o único feito daquele fato. Um exemplo claro disso o mestre Machado de Assis explicitou em seu livro Dom Casmurro, pois quem poderá dizer que Capitu traiu Bentinho, uma vez que o unico relato é o que ele, Betinho, faz acerca do que ele julga ter visto.Será mesmo que podemos aceitar o julgamento de alguem tomado pelo ciume?
E o relatos historicos feitos pelos homens até que ponto as paixões, os preconceitos e ate a ignorância perverteu o sentido do que realmente ocorreu no passado e que foi contado por homens que talvez não tivesse o desprendimento necessário para escrever a historia?
Mas o que podemos realmente confiar como real? Será que existe documentos históricos que não deixem margem para duvida? Estou cada vez mais convencido de quanto mais estudamos mais duvidas nós acumulamos e de certeza só teremos de que nada sabemos como diria Sócrates.
A professora Isabel colocou um filme de nome Matrix (o primeiro da trilogia) para que pudéssemos refletir sobre a realidade. Porém ontem, dia 03/09, assisti a um filme que realmente coloca a nossa realidade em questão. A Origem, com Leonardo Di Caprio, é de fato um filme excelente para nos questionarmos aquilo que consideramos, ou melhor, que criamos como real. Passei a me perguntar ao ver tal filme se aquilo que chamamos de realidade não é apenas uma projeção daquilo que queremos ver. Renato Russo em uma musica disse “Se o mundo é mesmo parecido com que vejo prefiro acreditar no mundo do meu jeito (Eu era um lobisomem juvenil)”... Até que ponto nós estamos vendo o mundo por detrás de óculos que deturpam a realidade?
São questionamentos que me surgem ao longo do que eu vou absorvendo as ideias que o curso me traz. Não saberia fazer desse blog um diário. Que ao menos sirva pra reflexões.
Espero que seja suficiente.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Recife, 17 de Agosto de 2010

menos de uma semana iniciou-se o curso de historia
Na UFPE no segundo semestre do ano 2010 durante a noite...
Expectativa e ansiedade são os sentimentos gerais de cada um
Uma turma de pessoas que, em grande parte, não se conheciam
E que talvez seus destinos jamais se cruzassem.

Ali estavam reunidos para darinicio a uma nova etapa de suas vidas...

Tal introducao parece sencacionalismo de folhetim barato
Mas acredito que exprime bem como alguns se sentiram
Assim como eu me senti quando comecei anos atras,
Em 2007.2, pra ser exato, o curso de ciencias contabeis.

Evidente que todo o encanto daquilo que é novidade
Pra um calouro que entra pela primeira vez na ufpe
É diferente do sentimento de quem ja passou por essa experiencia antes...
Mas tambem é claro que expectativa e ansiedade sao coisas que sinto
Uma vez que estou apostando em uma carreira que quero seguir,
Se possivel com prazer, por toda a minha vida!

A inicia tiva desse blog surgiu de uma "imposição"
Da professora de Estudos Históricos
Conhecida como Isabel Guillens (leia-se Guilhens)
Que propôs que criassemos, cada um da turma,
Um blog onde narrariamos nossa vivência acadêmica
Ou seja pediu-nos para fazer um documento historico de nós mesmos enquanto universitarios...

Uma proposta inusitada e quem sabe até original.
O fato é que pegou a todos nós de surpresa...
Ou pelo menos pegou a mim de surpresa!

Porém foi quase comico e talvez tragico, ao meu ver,
Quando ela assumiu honestamente que não sabia
Aonde aquela proposta nos levaria
Nem a que resultados
Confessando que todos nós eramos parte de uma experiencia.

Na falta de conhecer um tom histórico
Pra pautar o que escrevo nesse blog
Uso uma forma mais leve e coloquial
Só não sei se continuarei até o fim no mesmo tom...
Por enquanto fico por aqui.
Vince