Recife, 04 de setembro de 2010
“Só conhecemos o futuro através do passado nele projetado. (...) Porém o passado, por sua vez, é algo que nunca poderemos possuir. Porque quando percebemos, o que aconteceu, os fatos já estão inacessíveis para nós: não podemos revivê-los, recuperá-los, ou retornar no tempo como em um experimento de laboratório ou simulador de computador. Só podemos reapresenta-los.”
Assim que li esse trecho do livro Paisagens da História, de John Lewis Gaddis, é que puder compreender a dimensão de criar esse blog como uma projeção daquilo que hoje vivo como aluno do primeiro período de Historia da UFPE.
Certa vez um professor explicou pra minha turma que não gostava de usar a palavra aluno pois ela etimologicamente significa aquele que não tem luz. Mas é assim que eu me sinto ao criar esse blog, agora reconhecendo a dimensão que poderia estar dando a ele. Mas farei o que puder para que pelo menos possa ser compreensível aos meus leitores àquilo que quero exprimir.
Nas ultimas aulas conhecemos um pouco sobre o pós-modernismo e um pouco de sua quebra de paradigmas.
E em menos de um mês de aula começo eu a mudar também o modo de ver as coisas.
Uma vez que sempre acreditei na historia como uma expressão da verdade, ou pelo menos uma visão aproximada dela. Apesar de saber que a historia é algo que é sempre contado pelo lado vencedor, não tinha refletido que as deturpações pudessem de fato mudar a verdade.
Mas então começa agora a me incomodar a pergunta: O que é a verdade?
Algo que pode ser construído, moldado e alterado. Há uma frase que mais ou menos diz o seguinte “Uma mentira contada muitas vezes torna-se verdade” e eu me pergunto até que ponto?
E eu comecei a refletir e vi que a mentira pode se tornar uma verdade a partir do momento que o seu relato é o único feito daquele fato. Um exemplo claro disso o mestre Machado de Assis explicitou em seu livro Dom Casmurro, pois quem poderá dizer que Capitu traiu Bentinho, uma vez que o unico relato é o que ele, Betinho, faz acerca do que ele julga ter visto.Será mesmo que podemos aceitar o julgamento de alguem tomado pelo ciume?
E o relatos historicos feitos pelos homens até que ponto as paixões, os preconceitos e ate a ignorância perverteu o sentido do que realmente ocorreu no passado e que foi contado por homens que talvez não tivesse o desprendimento necessário para escrever a historia?
Mas o que podemos realmente confiar como real? Será que existe documentos históricos que não deixem margem para duvida? Estou cada vez mais convencido de quanto mais estudamos mais duvidas nós acumulamos e de certeza só teremos de que nada sabemos como diria Sócrates.
A professora Isabel colocou um filme de nome Matrix (o primeiro da trilogia) para que pudéssemos refletir sobre a realidade. Porém ontem, dia 03/09, assisti a um filme que realmente coloca a nossa realidade em questão. A Origem, com Leonardo Di Caprio, é de fato um filme excelente para nos questionarmos aquilo que consideramos, ou melhor, que criamos como real. Passei a me perguntar ao ver tal filme se aquilo que chamamos de realidade não é apenas uma projeção daquilo que queremos ver. Renato Russo em uma musica disse “Se o mundo é mesmo parecido com que vejo prefiro acreditar no mundo do meu jeito (Eu era um lobisomem juvenil)”... Até que ponto nós estamos vendo o mundo por detrás de óculos que deturpam a realidade?
São questionamentos que me surgem ao longo do que eu vou absorvendo as ideias que o curso me traz. Não saberia fazer desse blog um diário. Que ao menos sirva pra reflexões.
Espero que seja suficiente.
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